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Advocacia Feminista

por Franciele Pinto


Recentemente, Barbara Lenza partilhou sua sabedoria num webnário da EBDM, dizendo: "Ir ao fundo do poço é sentar no colo de Deus." E, complementou: “quando uma mulher chega lá no fundo é porque não há nada mais a perder”. E é verdade.


Uma verdade crua que retrata o cotidiano de milhares de mulheres. De acordo com a pesquisa recente realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno afirma que “Foram mais de 18 milhões de mulheres vítimas de violência no último ano. São mais de 50 mil vítimas por dia, um estádio de futebol lotado".


Nosso país está em 5.º lugar no Ranking de violência contra a mulher. É possível atenuarmos esse triste cenário através de educação, conscientização, políticas públicas, empoderamento. Mas não esquecendo que mais importante de tudo é: olharmos a vítima e o seu cenário atual. Aquela que consegue pedir ajuda para estancar seu sofrimento, já é uma vencedora. Buscar “vencer a dor” - “liberta a dor”. 


Logo no início do best seller “Comer, rezar e amar”, Liz Gilbert confessa: “a única coisa mais inconcebível do que ir embora era ficar; a única coisa mais impossível do que ficar era ir embora. Eu não queria destruir nada nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem consequências, e depois só parar de correr quando chegasse à Groenlândia.


Infelizmente nem todas alcançam sua liberdade. Ao contrário do que buscamos, o grito por liberdade, revela o (des)controle. A virilidade muitas vezes escancara o extremo da crueldade em que homens (melhor dizendo, criaturas) são capazes de matar os próprios filhos para atingir a mãe. 


Na obra “Tudo sobre o Amor e novas perspectivas”, a escritora Bell Hooks, é certeira quando diz: “a masculinidade patriarcal exige que meninos e homens não só se vejam como mais poderosos e superiores às mulheres, mas que façam o que for preciso para manter sua posição de controle”.


Por isso, sabemos que a mulher submetida a qualquer forma de violência quer poder exercer seu direito à vida. Clama proteger a filha, o filho. Ou pra ela tudo isso não passa de utopia, ela só quer sobreviver. E por isso o papel da advocacia feminista é solar.


É preciso restaurar/manter as conexões com outras mulheres pra manifestar a força que o feminino possui. Advogar para mulheres vai além do cumprimento de nosso dever profissional. É para além da estratégia e conhecimento jurídico. É estender a mão, ter compaixão.


Saiba que você não está sozinha: a ADVOCACIA FEMINISTA é força motriz de transformação social e instrumento de justiça para salvaguardar o Direito das Mulheres.





Conheça a autora:


Advogada e Associada EBDM

Direito de Famílias e perspectiva de Gênero.










REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


¹ Brasil registra um feminicídio a cada seis horas - 08/03/2023 - UOL Notícias


² GILBERT, Elizabeth. Comer, rezar e amar. Objetiva, Rio de Janeiro 2008.


³  HOOKS, Bell, Tudo sobre o amor e novas perspectivas, Elefante, 1.º edição, janeiro 2021.

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