Por dia, três mulheres são vítimas de feminicídio na pandemia

No total, 1.005 mulheres foram vítimas de feminicídio entre os meses de março e dezembro de 2020 no país. Os dados foram levantados pela AzMina em parceria com outros 6 veículos independentes



Por: Mariana Lima

Entre março e dezembro de 2020, ao menos 1.005 mulheres morreram vítimas do feminicídio, o equivalente a três mulheres assassinadas por dia.


O número de feminicídios foi apresentado no último monitoramento da série ‘Um vírus e duas guerras’. Os dados são referentes a 24 estados e o Distrito Federal. Somente Paraná e Sergipe não enviaram os dados solicitados.


Apesar da estabilidade em nível nacional, o comportamento varia entre os estados. O número de feminicídios, em dados absolutos, quase não sofreu alteração em 2020 quando comparado com 2019, que registrou 1.202 mortes.


O monitoramento, que tem como base as estatísticas das Secretarias Estaduais da Segurança Pública, tem como objetivo visibilizar a violência doméstica contra a mulher e o feminicídio durante a pandemia.


Os dados são analisados por sete mídias independentes parceiras: Amazônia Real; AzMina; #Colabora; Eco Nordeste; Marco Zero Conteúdo; Ponte Jornalismo e Portal Catarinas.

Durante os meses de pandemia em 2020, de março a dezembro, 14 estados apontaram aumento no número de feminicídios. Juntos, ele tiveram um aumento de 20% em comparação com o mesmo período de 2019.


Mato Grosso e Pernambuco apresentaram a maior elevação em números absolutos: 22 (73%) e 16 (36%) casos a mais, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano anterior.


Outro destaque é o estado do Amazonas, que elevou o número de feminicídios em 67% neste período.


Nos meses de análise, dez estados apresentaram queda no número de feminicídios. Os estados que apresentaram as maiores quedas em porcentagem foram o Distrito Federal (- 57%) e Rio Grande do Norte (- 47%) e em números absolutos foram o Rio Grande do Sul, com 29 casos a menos e Minas Gerais e Distrito Federal, ambos com redução em 17 casos.

Em 2020, a taxa média de feminicídios por 100 mil mulheres foi de 1,18. No ano anterior, a taxa foi de 1,19. Conforme a análise do monitoramento, 16 estados apresentaram taxas acima da média.


Estes correspondem a 45% da população feminina dos estados analisados (102 milhões) e foram responsáveis por 61% das mortes ou 735 feminicídios.

Os estados que apresentaram as maiores taxas são Mato Grosso (3,56) e Roraima (2,95), ambos com o triplo da média dos 24 estados e do Distrito Federal.


Na contramão, 11 estados apresentaram taxas abaixo da média: Ceará (0,57), Rio Grande do Norte (0,64) e São Paulo (0,74).


Mulheres com algum tipo de deficiência acabam invisibilizadas quando se fala de violência contra a mulher. Em São Paulo, houve queda de 51% nos registros de violência doméstica contra mulheres com deficiência: foram 467 boletins de ocorrência no ano passado e 708 em 2019, revelando mais uma faceta da subnotificação no período.


Fonte: AzMina

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