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Planned Parenthood reconhece que fundadora feminista era eugenista e racista

Enfermeira e educadora, Margaret Sanger abriu, em 1916, a primeira clínica de controle de natalidade nos Estados Unidos, o que era ilegal na época. Sua prisão e condenação levaram a uma decisão judicial segundo a qual os médicos poderiam prescrever contraceptivos para mulheres por razões médicas. Em 1923, Sanger abriu uma nova clínica com equipe médica, que acabou se tornando a Federação de Planejamento Familiar da América (Planned Parenthood).


Mas os livros de história podem não ter mencionado o lado sombrio de Sanger, como suas opiniões sobre a eugenia, uma crença em melhorar a raça humana por meio de procriação seletiva. As práticas da eugenia visavam pessoas com deficiência, pessoas de cor e pessoas pobres. Sanger morreu em 1966.


Ficou famosa a foto em que Sanger aparece palestrando para militantes da Ku Klux Klan, uma montagem que, no entanto, ilustra um evento que ocorreu comprovadamente, como atestam historiadores americanos.

Na terça-feira, a Planned Parenthood of Greater New York (PPGNY) anunciou que removeria o nome de Sanger do Centro de Saúde de Manhattan.


“A remoção do nome de Margaret Sanger do nosso prédio é um passo necessário e atrasado para contar com nosso legado e reconhecer as contribuições da Planned Parenthood para os danos reprodutivos históricos em comunidades de cor”, disse Karen Seltzer, presidente do conselho da PPGNY. “As preocupações e a defesa de Margaret Sanger pela saúde reprodutiva foram claramente documentadas, mas também o seu legado racista”.


A Planner Parenthood (Paternidade Planejada) é um dos maiores provedores de serviços de aborto do país para mulheres pobres; 40% das mulheres americanas que recebem assistência médica por meio do Título X recebem esse cuidado na Planned Parenthood. A organização, no entanto, está retirando financiamento federal sobre a regra do governo Trump que impede a organização de direitos reprodutivos de falar com os pacientes sobre serviços de aborto.


Em 2015, a clínica ganhou as manchetes dos jornais do mundo ao ser envolvida em um escândalo de contrabando de tecidos fetais para a indústria farmacêutica. Seus críticos constantemente lembram que as clínicas da Planned Parenthood se encontram principalmente em bairros negros.


“Não é complicado. Ela defendeu o controle da natalidade e apoiou as idéias racistas. Ambas as coisas são verdadeiras”, disse Merle McGee, diretora de patrimônio e engajamento da PPGNY, em comunicado enviado à CNN. “Trata-se de dizer que, embora valorizemos o trabalho que Margaret Sanger fez, reconhecemos que no processo ela causou danos. Portanto, não queremos comemorar ‘nossos heróis’ de uma maneira que não reflita totalmente suas ações, especialmente como as mulheres de cor continuam sendo envergonhadas por acessar serviços de saúde e por apoiar nossa organização”.


Planned Parenthood de Nova York disse que está trabalhando com um conselho comunitário, o Conselho da Cidade de Nova York e a comunidade para renomear uma placa de rua honorária que marca a Margaret Sanger Square no cruzamento das ruas Bleecker e Mott na área de East Greenwich Village em Manhattan.

A organização disse que o novo nome será anunciado em breve.


*Com informações da CNN – Tradução livre

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